Quem já entrou em uma indústria ou em um hospital provavelmente viu, perto da porta de algum setor, uma planta baixa com círculos coloridos de tamanhos diferentes. Esse é o mapa de riscos: uma representação gráfica dos perigos presentes em cada ambiente, feita para ser entendida rapidamente por qualquer pessoa. Apesar de parecer simples, ele só cumpre o papel quando é construído com base em informações confiáveis e mantido em dia.
Este passo a passo ajuda empresas, CIPAs e responsáveis por segurança a montar o mapa da forma certa. Se a empresa também precisa de placas, faixas e rotulagem, o serviço de mapa de riscos e sinalização trata das duas frentes juntas.
Passo 1: reúna a base técnica
O mapa não deve ser feito a partir de impressões. A fonte principal é o inventário de riscos do PGR, que lista os perigos de cada setor, as atividades envolvidas e a avaliação de cada risco. Também ajudam:
- a planta baixa ou um croqui atualizado de cada área;
- as fichas de dados de segurança dos produtos químicos utilizados;
- registros de acidentes e incidentes recentes;
- relatórios de inspeções de segurança e avaliações ambientais.
Se o PGR estiver desatualizado, o mapa herdará os mesmos problemas. Nesse caso, vale revisar o gerenciamento de riscos antes, tema detalhado no artigo PGR da NR-1 na prática.
Passo 2: ouça quem trabalha no setor
Os trabalhadores conhecem detalhes que nem sempre aparecem nos documentos: a máquina que faz mais barulho em certos horários, o produto que respinga durante a diluição, o corredor onde a empilhadeira passa rente às pessoas. Por isso, o mapa deve ser construído com a participação deles. Nas empresas com CIPA, a comissão tem papel natural nessa etapa; nas demais, o representante nomeado ou um grupo de trabalhadores de cada setor pode contribuir. O artigo CIPA: quando é obrigatória explica quando a comissão é exigida.
Passo 3: desenhe os círculos com a legenda certa
Por convenção consolidada na área de segurança, cada grupo de risco tem uma cor:
| Cor | Grupo | Exemplos no dia a dia |
|---|---|---|
| Verde | Físicos | Ruído, calor, vibração, radiação |
| Vermelho | Químicos | Poeiras, fumos, vapores, produtos de limpeza concentrados |
| Marrom | Biológicos | Material contaminado, esgoto, resíduos de serviços de saúde |
| Amarelo | Ergonômicos | Levantamento de cargas, repetitividade, postura |
| Azul | Acidentes | Máquinas sem proteção, eletricidade, piso escorregadio, trânsito interno |
O tamanho do círculo indica a intensidade do risco, normalmente em três níveis: pequeno, médio e grande. Dentro ou ao lado de cada círculo, um número ou uma breve descrição ajuda a identificar o agente. Quando um mesmo ponto tem mais de um tipo de risco, o círculo pode ser dividido em fatias com as cores correspondentes.
Menos é mais. Um mapa poluído, com dezenas de círculos minúsculos, não comunica nada. Prefira agrupar riscos parecidos e usar uma legenda curta, em linguagem que todos entendam.
Passo 4: exponha no lugar certo
O mapa precisa estar onde as pessoas o vejam antes de entrar no ambiente, em geral na entrada de cada setor, em altura confortável para leitura e protegido de sujeira e umidade. Também é útil apresentá-lo na integração de novos trabalhadores, prestadores de serviço e visitantes, explicando o que cada círculo significa. Um mapa que fica pendurado em uma sala administrativa, longe da produção, perde quase todo o valor.
Algumas empresas aproveitam os diálogos de segurança para revisitar o mapa com a equipe de tempos em tempos: o líder aponta um círculo, pergunta o que ele representa e pede sugestões de melhoria. Esse exercício rápido mantém o assunto vivo, revela riscos que mudaram e mostra se a legenda está realmente sendo compreendida. Quando ninguém consegue explicar o significado de um círculo, é sinal de que o desenho precisa ser simplificado.
Passo 5: complete com a sinalização no posto
O mapa mostra o conjunto; a sinalização avisa no ponto exato do perigo. A NR-26 trata das cores de segurança e da rotulagem preventiva de produtos químicos. Placas de advertência e de obrigação, faixas no piso para delimitar circulação, identificação de tubulações e rótulos legíveis em embalagens trabalham junto com o mapa. As rotas de fuga e os equipamentos de combate a incêndio seguem, além disso, as exigências do Corpo de Bombeiros.
Lembre que comunicar o risco não substitui controlá-lo. Se o mapa mostra um círculo grande vermelho em um setor, a pergunta seguinte deve ser quais medidas do PGR reduzem aquela exposição, e se os equipamentos de proteção entregues estão bem registrados, como explicado no artigo sobre ficha de EPI.
Passo 6: atualize quando a operação mudar
Mapa desatualizado transmite informação errada, o que pode ser pior do que não ter mapa. Revise sempre que houver:
- mudança de layout, ampliação ou mudança de endereço;
- entrada ou saída de máquinas e equipamentos;
- troca de produtos químicos ou de processos;
- revisão do inventário de riscos do PGR;
- acidentes que revelem riscos não representados.
Uma boa prática é registrar a data da última revisão no próprio mapa, para que qualquer pessoa saiba se a informação é recente. Também ajuda guardar as versões anteriores junto com o PGR: elas mostram a evolução dos riscos ao longo do tempo e comprovam que a empresa acompanhou as mudanças da operação.
Como a Medicina do Trabalho 4 pode ajudar
Montamos os mapas por setor a partir do inventário do PGR, com visita às áreas e participação dos trabalhadores e da CIPA, e entregamos o projeto de sinalização com a localização de cada placa e o checklist de rotulagem de produtos químicos. Atendemos empresas de Goiânia e região metropolitana. Fale pelo WhatsApp (62) 3661-0052 ou conheça o serviço de mapa de riscos e sinalização.